quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crônica: A igreja de Santo Antônio




Rio Bananal é um pequeno município localizado no estado do Espírito Santo cujo principal produto agrícola é o café. É um município com poucos atrativos, confesso. Mas os poucos que tem são, para mim, símbolos da minha história de vida.
Sempre morei em um local privilegiado da cidade, em frente à igreja de Santo Antônio que cresci ouvindo ser a segunda mais bonita do estado do Espírito Santo. De hora em hora eu ouvia as badaladas do relógio da igreja marcar o tempo em algarismos romanos, o que me incentivou na época em que eu cursava o ensino fundamental, a aprender a reconhecer as horas em ponteiros e a ler os algarismos romanos. Encantava-me todas as vezes em que ouvia alguém informar as horas naquele relógio e aprendi isso desde muito cedo. Vigiava as noivas passarem aos sábados e sonhava com o dia em que eu me casaria, naquela igreja.
Na adolescência cheguei a pensar até na possibilidade de troca dos ponteiros em romanos pelos números arábicos em digital, tão mais práticos! Quase cedi aos modismos típicos da minha idade, naquela época. Cheguei a me “irritar” com o volume dos discos que tocavam em frente à janela do meu quarto anunciando o horário da missa quando eu queria dormir até mais tarde numa manhã preguiçosa de domingo. Força dos hormônios, aquela fase passou.
Não sou mais criança, não sou mais adolescente e agora já adulta, casada nessa mesma igreja, moro ainda nesse privilegiado lugar, apesar de já ter tido oportunidade de sair dali, construi meu lar bem pertinho de onde sempre morei durante toda a minha juventude. Hoje eu me encanto com os badalos do sino e com o volume dos, agora, CDs que me acordam aos domingos me proporcionando a alegria de poder relembrar a minha história.
Fico emocionada em saber que poderei ensinar à minha filha os algarismos romanos e as horas nos ponteiros do mesmo relógio em que eu aprendi, sem falar que hoje me lembro de fazer algo que em muitos momentos da minha ingênua juventude não fazia, benzer-me diante da imagem da Nossa senhora que tem em seus braços o Menino Jesus. Eles ficam, e sempre ficaram, bem em frente ao meu portão e me abençoam com um bom dia todas as manhãs.
 
Autoria: Marcela Gerlin Vaneli Paneto

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